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Dia 1

Quando me perguntam porque me liguei à cultura hindu respondo com um sorriso

“porque adoro viver a vida em festa”

 

Quando me perguntam mais a sério e me sinto mais à vontade abro o coração e respondo de forma bem totó “porque adoro estudar, porque gosto da segurança de me sentir aluna, de ter um professor e de perceber que isso não tem data de validade nem obriga a um diploma.”

De coração digo-vos que sinto como um privilégio gigante Ser Aluna! Ter alguém em quem posso confiar, que me guia e em quem confio é um privilégio. Festeja-lo uma necessidade.

Se por um lado é de facto uma grande característica da cultura hindu a constância de dias festivos durante o ano. É ainda mais significativo a forma humilde e tradicional com que se encaram estes momentos festivos. Festa que não implica comer mais do que oferecer comida. Festa que não implica presentes mais do que servir o outro. Festa que não se perde na brilhantina mas que coloca o seu significado como porta bandeira.

Se demonstraste interesse, em algum momento, pelo Yoga ou qualquer simbolismo associado é muito provável que o algoritmo te tenha mostrado hoje alguma publicação sobre o Navaratri.

 

FELIZ NAVARATHRI berram as publicações.
JAYA NAVARATRI respondemos em forma de coração e partilha na nossa história.

Mas afinal o que é o Navaratri perguntas mentalmente, porque até sussurrando tens medo de o fazer.

Como outros festivais na Índia, Navaratri tem um significado muito rico. Navaratri simboliza o processo do aspirante espiritual. Aspirante… adoro… dá-me esperança ver-me como aspirante.

Durante a jornada espiritual, um aspirante passa por três estágios personificados por: Durga, Lakshmi e Saraswati. E por isso, Navaratri, que literalmente significa “nove noites”, dedica três dias de adoração para o Divino nas formas de Durga, Lakshmi e Saraswati.

Apesar da sociedade de consumo rápido resumir o Navaratri ao último dia conhecido como o “Dia da Vitória”, o Navaratri são 9 noites de celebração das 3 fases do processo espiritual.

Durante os três primeiros dias, Durga é adorada.
Durga personifica o aspecto de Shakti que destrói as tendências negativas que justificam a ignorância e a ação incorrecta. Que outro motivo nos levaria a fazer algo errado senão a ignorância de não conhecer a ação certa?
Assim, nas estórias dos Puranas (escrituras) Devi é descrita na forma de Durga, guerreira que destrói os Asuras (demônios).
Todavia, conseguir alívio temporário das garras das vasanas não garante a Liberação permanente. As sementes das vasanas mantenham-se dormentes internamente. Por isso, devemos banhá-las constantemente com qualidades positivas como práticas de Yoga e Meditacao, comida Satwica e hábitos de vida saudável e boas companhias.

Gratidão ao BmQ por existir e ser o local de Egrégora do que nos foi transmitido pelos nossos professores, diminuindo um pouco a falta e saudade que sentimos de os ter por perto.

 

A adoração a Lakshmi acontece nos três dias seguintes. Lakshmi não somente concede a riqueza e prosperidade mundana, Ela concede de acordo com a necessidade de cada um. Uma forma de dizer que o conhecimento vem, nunca é negado, ao aluno que aplicado apresenta maturidade para o receber.

Gratidão ao BmQ por ser o espaço que se expande na medida das nossas necessidades e se recolhe respeitando os nossos limites.
Gratidão aos professores que nos apoiam e sustentam a nossa egrégora dando sempre o conhecimento que precisamos sem exigir de nós mais do que podemos dar mas sempre dando mais do que consideramos necessário.

 

Por fim, os três últimos dias são dedicados a Saraswati, a incorporação do Conhecimento. Ela é descrita usando um sari puro-branco, que simboliza a iluminação da Verdade Suprema.

Gratidão

 

O décimo dia é Vijaya Dashami, ou festival da vitória, que simboliza o momento em que a Verdade nasce no interior. Com isso, a significância de cada estágio de adoração tem claras parábolas correspondentes aos diferentes estágios da Sadhana (práticas espirituais). Primeira: as tendências negativas precisam ser controladas; segundo: as qualidades necessitam ser assimiladas; terceira: depois de ganhar necessária pureza mental, conhecimento espiritual deve ser adquirido. Somente então, o sadhak (aspirante espiritual) irá atingir a iluminação espiritual.

AGORA SIM.

Dia 2

Ontem abri o Navaratri com a sua explicação e referência específica a Durga como a expressão do potencial de mudança que todos temos é que se vê tão bem na forma feminina (o ciclo feminino que nos transforma dia a dia através de um mês) e na forma de alunos (em que todos os dias estamos diferentes com um pouco mais de conhecimento numa espiral crescente de maturidade).

Hoje é o segundo dia dedicado a Durga e a intenção que colocamos é de perceber neste potencial de mudança a nossa força, coragem e determinação para agir perante desafios e padrões que nos constrangem.

Todos os dias temos o potencial de mudança a latejar e oportunidades para nós atirarmos a esse propósito. Que possamos manter esta força que não se perde com a idade e esta disponibilidade para aprender que que não se perde com o tempo.

Que possamos nos manter longe da ignorância, inércia e demência.

Dia 3

Chegamos ao último dia dedicado a Durga e vale a reflexão do significado da sua origem.

Não, não é por acaso que as mulheres vencem tantos desafios. Não é por acaso que nos foi dado a nós o poder da multiplicação.

Apesar das diferentes culturas indianas divergirem em alguns pontos, a essência do conhecimento é o mesmo, assim como a origem da deusa é a mesma.

Durga foi criada por todos os Deuses como a última e única possibilidade de vencer o invencível demónio Mahisha na sua luta por um lugar no céu.

Mas como um Asura, um demónio poderia ter um lugar no céu? Como podemos deixar que os nossos desejos e perversões se imponham ao lugar sagrado que estamos a construir? Este é o simbolismo da indignação dos deuses. É importante perante as nossas fraquezas reunirmos as nossas forças e concentrarmos as mais puras energias na direção da melhor versão de nós. Só assim poderemos gerar a massa de luz intensa que nos direciona como um jato de fogo para a ação correta. Assim aparece na mitologia Durga, cavalgando num leão empregadas das mais fortes armas de cada Deus.

Durga representa a força de Deus na ação.

Só uma mulher, Durga conseguiria facilmente vencer o demónio. Só ela o venceu. Como resultado, percebemos Durga como a Mãe divina que se manifesta de diversas formas com o intuito de proteger as crianças e o mundo.

Durga é considerada a rainha das batalhas, lutando sempre contra demónios masculinos e possuindo apenas ajudantes femininas. Ela vence sempre, mas mais diversas formas. Foi numa dessas lutas que a deusa Kali foi criada.

 

JAYA MATA KALI
JAYA MATA DURGA
KALI DURGUE
NAMO NAMAH

 

Que possamos encontrar em nós a força que não se extingue para fazer o que estás certo.

Dia 4

Após 3 dias de reflexão sobre a importância da ação chega o momento de refletirmos sobre a vontade, o propósito, a responsabilidade da ação.

Simplesmente perfeito não é?

Nos dias de hoje delegamos facilmente as nossas ações. Como ontem estudava com o meu professor, através do medo se foram impondo vontades e tirando o poder pessoal de decidir. Quem tem medo não decide em consciência mas sim no medo. E assim estamos.

Não há nada de “errado” em não assumir a responsabilidade da ação. Porém, há consequências.

Para não assumir a responsabilidade, temos que negar a responsabilidade, ou seja, transportá-la para outro ou alguém. Ao não nos responsabilizarmos pela nossa vida iremos responsabilizar outro, mas como responsabilizar é dar poder então preferimos culpar porque culpar é atribuição da responsabilidade daquilo que não gostamos, daquilo que não aceitamos, do que não queremos ver ou assumir. Culpar a outros (ou a vida em si) é uma forma prática a e rápida de camuflar a frustração da experiência, e reforçar a atitude de medo, ressentimento e auto-piedade.

Quando negamos a responsabilidade pela vida, escolhemos permanecer paralisados, o que não impede a queda e faz crescer o desrespeito do nosso comprometimento em transformar a nossa experiência de ser humano.

Dia 5

Neste segundo dia dedicado a Lakshmi celebramos o poder de estar no ciclo positivo de dar e receber.

Ainda hoje alguém dizia “damos com uma mão para receber com a outra”. Gostei tanto de ouvir aquelas palavras. É que muitas vezes percebo quase que um pedido de desculpa ao tentar equilibrar a balança entre dar e receber.

Na maior parte das vezes sentimos uma sensação de culpa e frustração gigante sempre que tiramos tempo para dedicar a um mesmo. Até o verbo está errado “tirar”. Quando sentimos que “tiramos” tempo para nós, não reconhecemos esse tempo como investimento. Por isso mesmo acredito que a sociedade está frustrada, amoral, disfuncional e apática perante a vida.

Não se pode dar o que não se tem e por isso é tão importante refletir sobre a responsabilidade pessoal perante a Vida no sentido de equilibrar o ciclo de dar e receber.

 

Vamos honrar a Vida.
Vamos reconhecer o nosso lugar de merecimento.
Vamos ser humildes para saber receber e agradecer simplesmente porque sim.

 

Vamos procurar comprometermos-nos a aceitar humildemente receber, mais de perto, mais juntos, e assim ensinar os nossos filhos através do nosso exemplo.

Dar é importante e um dever de quem é próspero.
Receber é importante e um dever de quem é humilde.
Equilibrar o ciclo é importante para viver de forma harmónica.

Dia 6

Quando abrimos o BmQ a nossa vontade era ter um espaço que servisse a comunidade de forma justa e adaptado às necessidades e condições de cada um.

Estivemos um ano em que as mensalidades eram mensalidades responsáveis, ou seja, cada um dava na proporção do que sentia. Escusado será dizer que foi um ano de puro investimento pois a sociedade não estava, nem creio que esteja, preparada para acatar uma responsabilidade desta dimensão e acabamos tendo que nos adaptar pois o senhorio e Estado nao concordavam com a mesma forma de pagamento.

Seguiu-se a tentativa de cobrar de acordo com o vencimento mas rapidamente se revelou desadequado.

Hoje, no 6dia, último dia dedicado a Lakshmi tendo reflectido sobre a nossa vontade e o nosso propósito refletimos hoje sobre a nossa prosperidade.

Ser próspero não significa ser rico. Ser próspero significa ter o suficiente para nós e um pouco mais para oferecer ao próximo que o necessite. É por esse motivo que oferecemos de coração bolsas de tratamento, BACK2life e consultas a quem genuinamente precisa mas não pode. Fazemos em consciência e de coração aberto certos de que cumprimos a nossa vontade de chegar sempre a quem precisa.

Porque partilhamos a nossa experiência? Porque acreditamos que talvez te tenha acontecido o mesmo. Talvez tenhas oferecido, na tentativa de ajudar, quem nao precisa ou não pediu.

Em nome da humanidade a que pertencemos queremos te agradecer de coração por todo o bem que proporcionas aos demais.

Om lokah samastha sukhino bhavantu.
Om shanti, shanti, shantih

– Que todos os seres, em todos os lugares, possam viver prósperos, livres e felizes. Que haja paz no mundo denso, subtil e espiritual.

Dia 7

Saraswati representa a beleza, sabedoria, discernimento e comunicação.

Dia 8

As palavras são talvez a arma mais poderosa e sofisticada criada pela humanidade.

Na sua essência, a palavra serve para troca de informação que inclui ideias, conceitos concretos e abstratos como as emoções, comportamentos e conteúdos escritos. Porém as palavras quando mal utilizadas, consciente ou inconscientemente, podem magoar, ferir e até matar ideias, emoções, relacionamentos, pessoas.

Saber usar as palavras é um sinal de inteligência que devemos cultivar e aferir talvez através do silêncio.

 

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