Amar é um verbo, amar-te uma prioridade.
PARA VIVER A VIDA TEMOS DE APRENDER A DEIXAR DE A USAR COMO DESCULPA.

Creio que uma das grandes questões da vida do Ser humano é perceber que a sua existência social apesar de fundamental para o equilíbrio global está longe de determinar esse mesmo equilíbrio e por isso, seja qual for o papel que desempenhamos a cada momento, a questão que resume tudo penso ser: “será que acertei”.

Basta uns quantos anos de vida e alguma maturidade para perceber que erramos. Erramos muito, simplesmente porque o erro está assente num desvio padrão em relação à média. Erramos tanto que quando acertamos olhamos em volta à procura de um megafone que exalte o sucesso e a frustração aparece num pulo quando não somos percebidos.

Este é o sucesso do programa Back to Life. Quando nos comprometemos com o próprio despertar, e assumimos um compromisso pessoal para com a Vida passamos a viver a vida e não a usá-la como desculpa para os nossos pensamentos, atitudes e reacções.

Como encorajadora deste processo percebo quanta força, disciplina, resiliência e determinação são necessárias para manter um caminho dorido no processo de mudar a própria estrutura da personalidade. Este caminho não se percorre apenas estudando conceitos filosóficos em livros e palestras. Este caminho vive-se, e na maior parte das vezes de forma bem prática e dorida. Por isso, quando recebo um texto como este que partilho em seguida sobre o processo, sinto uma profunda gratidão e reconhecimento pela Vida e por poder assistir a estas metamorfoses.

“Viver uma verdadeira experiência amorosa é um dos maiores prazeres da vida. Gostar é sentir com a alma, mas expressar os sentimentos depende das ideias de cada um. Condicionamos o amor às nossas necessidades neuróticas e acabamos com ele. Vivemos uma vida a tentar fazer com que os outros se responsabilizem pelas nossas necessidades enquanto nós nos abandonamos irresponsavelmente.

Queremos ser amados e não nos amamos, queremos ser compreendidos e não nos compreendemos, queremos o apoio dos outros e damos o nosso a estes. Quando nos abandonamos, queremos achar alguém que venha preencher o buraco que nós cavámos. A insatisfação e o vazio interior transformam-se na busca contínua de novos relacionamentos, cujos resultados frustrantes se repetirão.

Cada um é o único responsável pelas suas próprias necessidades. Só quem se ama pode encontrar na sua vida um amor de verdade.”

N.R. 2021

No último artigo desta rubrica, Back to Life, falei do tipo de pessoas que me procura mas não revelei o denominador comum. Esse denominador comum revelo agora – DESAMOR PRÓPRIO. Seja qual for o argumento, o contexto, a situação que te traz a este sofrimento ele tem uma única causa: a sede pelo prazer e inevitável apego por algo perene e exterior, afinal a única coisa que existe para sempre, para ti, é a tua linha cronológica. Só a linha cronológica do corpo físico é eterna e por esse motivo também é eterna a saudade perante quem parte.

De facto, quando buscamos no outro a fonte de prazer afastamo-nos na verdade que existe em cada um de nós. O amor não é o outro, o amor é aquilo que fazemos do outro. Se o outro fosse a fonte do amor então todos os Seres estariam num processo amoroso pela mesma pessoa porém nem Deus que é fonte de amor envolve a humanidade quanto mais aquela pessoa a quem entregas-te a tua felicidade e plenitude. Amar é importante mas amar-te é fundamental. Como amar o outro quando não reconhecemos quem somos?

Só o amor próprio pode fazer-nos compreender as diferenças. Do entendimento pessoal de que somos amados mesmo quando erramos, e a maior parte das vezes erramos por amor, é que surge a compaixão pelos erros dos outros. Pois que possamos fazê-lo para nós mesmos e assim crescer na tranquilidade de viver a vida na plenitude do que somos, do momento e do contexto de forma a podermos “amar o outro assim como a ti mesmo”.

Lara Lima
Fundadora do método BMQ
Formadora da AMAYUR
Formadora reconhecida pela YOGA ALLIANCE
Terapeuta Ayurveda Sénior
Professora Sénior de Yoga.